
Sobre Pedro H. Otoni
Pedro Henrique Otoni é cientista político e especialista em Análise de Conjuntura. Possui graduação em Direito pela UFMG, especialização em Economia Política pela UFES e mestrado em Ciência Política pela UFMG.
Tem experiência na área de Ciência Política, atuando principalmente nas áreas de Análise de Conjuntura, Direitos Humanos, Organização Popular, Educação Popular e Metodologias Participativas.
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Conjuntura e seu Labirinto
Por Pedro H. Otoni
Perguntaram-me certa vez sobre qual metáfora utilizar para expressar o sentido da categoria “análise de conjuntura”. Pois bem, creio que a conjuntura é como um labirinto e a análise é o exercício que fazemos para sair deste labirinto.
Em um primeiro momento, pensamos que o arquiteto do labirinto nos propõe um desafio justo. E julgamos que o labirinto é estático e possui uma saída. Sendo assim, o critério de êxito é compreender sua lógica e assim que a conhecemos, encontramos sua solução.
No segundo momento, percebemos que as coisas não são bem assim, as paredes se movem, a cada momento os corredores estão posicionados de maneira diferente. Mas continuamos acreditando que o desafio é justo, e tentamos “ordenar”, dentro das nossas cabeças, este movimento, reduzindo-o a alguma lei de funcionamento; porque é difícil imaginar algo fora de um padrão, algo “fora da lei”.
Passado um tempo, já percebemos que as leis que criamos não passam de ficção, um autoengano produzido para preservar-nos da angústia da tragédia humana. Aí, podemos ou não compreender o que realmente é o labirinto.
NESTE MOMENTO SURGEM DIFERENTES POSTURAS EM RELAÇÃO AO LABIRINTO.
O dogmático acredita que existe uma lei geral que indica uma porta predeterminada. A trajetória de saída é dada a priori, tudo está parado, o movimento é apenas uma distração, os corredores são sempre a mesma coisa, no mesmo lugar. Basta caminhar, ser disciplinado no ritmo, confiar no método, e ter uma resposta elegante sobre a direção a seguir.
O acadêmico perceberá o movimento das paredes e dos corredores, observará seu comportamento, produzirá uma formulação sobre isso, e acreditará que ao final do seu raciocínio está aberta a saída.
Se rejeitarmos o dogmatismo e o academicismo iremos desconfiar da justiça do arquiteto, e vamos parar de nos culpar pelo fracasso. Vamos perceber que a saída não está dada; deixar a procura da chave de uma porta, “de uma parede sem porta”. Vamos revelar a nós mesmos que a promessa de uma abertura prescrita é que nos faz aceitar as regras do labirinto.
A partir daí nossa postura começa a ser outra, movemos nossas inteligências para a análise das “estruturas” das paredes, nos perguntando do que são feitas, procurando seus pontos fracos, suas fissuras. Iremos nos portar de maneira diferente a cada movimento dos corredores em busca de uma “situação”, um “momento”, mais favorável para construir escadas, cordas, túneis…
EMPREENDENDO TODO O ESFORÇO E ASSUMINDO TODOS OS RISCOS QUE LHE SÃO INERENTES.


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